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sábado, 28 de janeiro de 2012

Carta de despedida

Como começar este post? Não sei exatamente. Eu que sempre gostei de passar por aqui e escrever a respeito da vida, dos meus caminhos, das minhas descobertas e tentativas de acertar... Mas, ultimamente, o que eu tenho percebido é que muito pouco tenho para falar. Desde os 15 anos venho de forma consciente buscando encontrar O Caminho, aquele correto, que me levasse à felicidade, ao Amor, à Deus. Nesta busca pela Verdade percorri alguns deles, e a cada nova direção que eu abraçava, me encantava com as "verdades" que eu ia alcançando.

Hoje, vejo que verdades são ilusões, que nada que seja dito por nós, seres ainda tão pequenos e limitados, é possível de abranger o Todo. A vida é muito além do que vemos; E cada um de nós tem uma interpretação diferente e limitada a respeito dela. Quem está com a verdade? Sobre este ponto de vista, posso ousar em responder que ninguém. Cada um de nós possui uma história que nos ajuda a entender o mundo que nos rodeia e sentidos que nos limitam ao enxergar somente uma parte do espectro de luz visível, a escutar apenas uma frequência de ondas sonoras, a sentir o cheiro, o tato e o paladar com diferenças limitadas entre a diversidade de sensações que existem e quiçá conhecemos. Como acreditar que alcançamos o Todo e que temos todas as respostas, se as nossas antenas captadoras do mundo são limitadas? 

Nós nos ocupamos muito em saber das coisas mundanas, em discutir os assuntos interpretados pelos outros e dados por uma tela quadrada de TV, em passar o tempo observando a vida alheia e nos esquecemos, no entanto, do que é mais fundamental de ouvir o nosso íntimo, desconstruindo todas essas pseudo-verdades que  recebemos diariamente. Precisamos, portanto, mudar o foco. Ele deve voltar-se para o silêncio. Nos colocarmos numa névoa silenciosa por trás dos acontecimentos, lembrando-nos sempre de quem somos realmente. 

Tudo isto que estou dizendo também pode ser uma grande mentira que estou contando para mim mesma. Por isso, peço que não acreditem. Peço que busquem o seu íntimo e escute o que ele diz a você, a sua vida, ao que é necessário para o seu crescimento como ser espiritual. 

E no meio dessas minhas reflexões é que andei questionando-me sobre a necessidade de ter este blog. Há muito tempo, eu tenho percebido que minhas palavras se repetem em meus posts. Tenho cada vez mais emudecido. Não há o que ser dito, mas sim vivido; Cada um segundo suas próprias experiências, cada um com suas próprias visões de mundo. O crescimento está nisto: na desconstrução do próprio mundo, na consciência de que não existe uma verdade absoluta neste plano existencial, que a vida está além do que vemos e que não nos resumimos nesta forma limitada como nos apresentamos e em como acreditamos sermos. 

Talvez seja esta uma carta de despedida ou de um momento que preciso viver hoje. Já estava ensaiando isso, mas agora sinto uma necessidade maior de fazê-lo. Deixarei este post por alguns dias para aqueles que ainda passam por aqui tomarem ciência dos meus motivos, afinal vocês me acompanham e é justo saberem o que se passa por aqui. Depois, retirarei o blog do ar. Talvez, um dia eu volte, talvez não. De qualquer forma, eu quero agradecer o carinho sempre presente vindo da companhia de vocês nesta jornada que traçamos neste Jardim. Foi um presente!

Desejo a vocês muita luz e que todos alcancem o que os seus corações desejam sinceramente.
Muita paz!

Namaste _/\_